Passa o passado e o futuro não chega

Passa o passado e o futuro não chega


Da pequena cidade de Jaicós no sertão do Piauí me chega esse conto que nos faz refletir sobre escolhas.

Samuel, poderia simplesmente ter outra vida, outra história, outro desfecho, mas as coisas aconteceram da seguinte maneira.


Após passar a noite em claro e se remoendo em pensamentos, por mais que não tivesse contas a pagar, odiava ficar sem fazer nada e já não arrumava trabalho a quase um mês.

Samuel então decidiu que não queria mais aquela vida. 

Respirou fundo e num salto se colocou de pé, vestiu sua calça surrada, suas botinas e sua camisa do quatro de julho de Piri-Piri, pegou sua furadeira, a lixadeira, a serra tico tico e ainda se lembrou daquela gaita antiga que estava mergulhada no meio das meias e que nunca gostou por achar o som desengraçado, colocou tudo na sua mochila e com a mente cheia de decisões, saiu do quarto que ficava nos fundos da sapataria Jaicós. 

Ao passar pela sapataria, foi dar bom dia para o Dono, Seu Onofre.

Era um senhor com o semblante simpático e sempre dando a impressão que sabia mais do que dizia, conhecia todo canto desta cidade e inclusive dizia que havia nascido, saído, vivido e voltado para a mesma cidade por ainda ter coisas a cumprir.

Ao ver a mochila cheia, o velho - que neste momento estava encaixando uma bota no pé de ferro - logo disse que a vida poderia melhorar muito só que Samuel iria precisar mais do que estava levando.

Com um sorriso desguarnecido - Agora espalhando tachas sobre a mesa com o martelo empunhado - disse que conhecia as pessoas, disse ainda que Samuel poderia até tentar mas não ia esconder aquele "olhar de fuga", que não sabia para onde ele iria mas se saísse assim sem um rumo certo ia só ficar rebolando no mato até pedir penico e nunca ia aquietar sombra em alpendre de jatobá. Que ia ficar bestando pela vida afora até cansar de ganhar um pixototinho de dinheiro e de ficar atrás de fortuna igual muié caritó fica atrás de marido.

Samuel arregalou os olhos e até sentiu seus curtos cabelos se arrepiando em espanto, baixou a cabeça e de rabo de olho olhava para o velho, sem saber o que dizer apenas esperando que ele completasse o que tinha começado.

Se seus pais ainda estivessem vivos - Soltou o velho entre uma martelada e outra nas tachas na sola da bota - Tu teria motivo pra continuar aqui, mas como "ninguém vem pra essa vida sem ter uma história parida"  e que provavelmente estava escrito que só com a falta deles teria uma vida farta, que deveria mesmo fazer de tudo pra procurar sua moia de fartura nesse mundo e que inclusive ele iria ajudar.

Foi até o fundo da sapataria, da parede sacou um tijolo e colado ao tijolo pegou um paninho, onde depois de desembrulhar, surgiu uma chave.

Meu filho, preste muita atenção no que vou te falar.

Antes de voltar pra este fim de mundo aqui, eu fiz muita coisa nessa vida. Umas me dá alegria só de pensar e outras não gosto nem de lembrar. Acumulei mais tristezas que alegrias, menos gosto que desgosto, mas posso te ajudar a ter um rumo melhor que o meu.

Se é que assim esteja lá escrito.

Mas fique sabendo que tudo nessa vida tem um preço e assim que você pegar sua parte dessa vida, você nunca mais vai derrubar os olhos em mim. Toma pega essa chave.

Na entrada da cidade vindo lá de Massapê tem um pé de Aroeira Vermelha nela tem um cravo de ferradura fincado no pé de um dos galhos, no rumo dele, no chão, tem uma caixa enterrada e dentro dela, tem alegria e tem tristeza, tem riqueza e tem pobreza tem sucesso e perdição. Tem futuro e tem passado tem no seu fundo guardado o que há de mais precisão, tem o certo e tem o errado, tem o amado e o odiado e pra quem não sabe usar no seu fim tem perdição.

Samuel pendeu a cabeça para o lado e tentou não rir, mas esse versinho era a coisa mais cafona que já tinha ouvido

O velho concluiu que se apossando dos objetos da caixa, ele nunca na vida jamais em tempo algum poderia fazer qualquer tipo de mal a nada deste mundo ou dos outros ou então o passado passava e o futuro não chegava. 

Samuel duvidoso, pegou a chave sem dizer mais nada, foi guardar as suas bugigangas no quarto ouvindo Seu Onofre pedindo para que tomassem um último café. Nem pensou em discutir sobre essa última frase, foi até a cozinha preparar o café enquanto pensava no que teria na caixa, nem se deu ao trabalho de perguntar pois sabia que o velho não falaria. Voltou com duas canecas soltando fumaça, serviu Seu Onofre com uma e começou a soprar a outra. Terminando sem soltar uma única palavra, deixou a caneca sobre o balcão e dirigiu-se a porta. Olhou para trás, a tempo de ver o velho soltando o que parecia ser um suspiro de alívio.

Chegou ao pé da árvore com a pá em mãos, sem pestanejar cavou e cavou. E cavou.

Junto com o barulho de metal com metal, um imenso sorriso surgiu, como a muito não se abria.

Deixando a pá de lado concluiu com as mãos o restante. Arfando e transpirando se ajoelhou e tirou a caixa do buraco.

Ela era de madeira e metal, com muitos detalhes, tinha alguns desenhos que pareciam cabeças de cabras fumegantes em toda a sua volta.

Pegou com a mão suja e trêmula a chave em seu bolso, encaixou e torceu, hesitou em sua abertura.

Esperançoso fechou os olhos e respirou fundo uma, duas, três vezes e abriu.

Carecente de um sorriso neste momento, soltando o corpo para traz Samuel pegou do fundo da caixa um lenço vermelho e preto e uma foto em preto e branco de Seu Onofre ao lado de um padre em frente a uma igreja, e era somente isso.

Decepcionado e já pensando o quanto iria ofender o velho por encher ele de esperança, se levantou, jogou a pá o mais longe que conseguiu, pegou o caminho para voltar para a cidade.

Escutou o barulho de um carro se aproximando, parou, olhou em sua direção a tempo de ver a caminhonete mais robusta e bonita que ele já tinha visto antes da poeira quase esconde-la na freada

Depois de baixar a poeira, de dentro do carro um homem perguntou se esse era o caminho certo pra cidade de Picos, Samuel lhe respondeu que sim e que estava indo para Jaicós que era na mesma direção.

Se apresentando como Bastião o sujeito abriu a porta e lhe ofereceu carona dizendo que não entendia porque o GPS tinha perdido o sinal, sendo que ele vinha funcionando normalmente desde Petrolina.

Com o carro já em movimento, Bastião disse que estava indo comprar uma empresa de trilhas de picada com quadriciclos em Saco do Cruzeiro. Era a terceira que ele comprava no ramo e queria colocar parapente como nas anteriores.

Torcendo para a viagem demorar o máximo possível se deliciando com o ar condicionado, Samuel ficou quieto para que Bastião não percebesse que ele não sabia o que era trilha de picada, tão pouco parapente

Bastião perguntou o que ele fazia e depois de pouca conversa lhe perguntou se ele conhecia alguém que pudesse pelo menos a princípio trabalhar com ele pois ele não conhecia ninguém por ali e precisava de alguém para ajudá-lo. Não confiava em funcionários antigos pois eles pegam as manias e os costumes do antigo dono e por isso não quis comprar de porteira fechada, Samuel prontamente se ofereceu para o  emprego. 

Bastião sorriu e disse que pelo menos a princípio ele precisava ficar o tempo todo por la já que não conhecia a redondeza.

Samuel com o sorriso aberto disse que precisava parar em Jaicós, para pegar suas coisas.

Foi ensinando o caminho e ao chegar na sapataria achou estranho estar fechada pois Seu Onofre nunca saia durante o dia para nada.

Entrou e encontrou em seu quarto duas malas abertas com suas roupas sobre sua cama. 

Fechou as malas e antes de sair deixou um bilhete dizendo o ocorrido e que quando tivesse uma folga voltaria para visitá-lo. 

Nos meses que se passaram, Bastião ensinou tudo o que Samuel precisava para trabalhar com ele e mesmo já sabendo pilotar motos, pagou para que ele tirasse habilitação para evitar problemas..

Samuel começou a achar que o velho tinha razão, mas não sabia de qual objeto ele tinha falado, na dúvida andava com o lenço e com a foto o tempo todo.

Pensava em voltar e visitar o velho, mas protelou e protelou. E protelou.

A empresa não parava de crescer, em dois anos, abriram sete filiais em três estados, Samuel fez cursos nas áreas financeiras e de gerência e não parava de trabalhar além de pensar como fazer com que os negócios continuassem a crescer.

Conseguiu patrocínios para os equipamentos e vendia espaços para propagandas de comerciantes locais.

Recebia participação nos lucros o que o motivava a trabalhar mais para ganhar mais. Sempre sozinho, nunca saia, só gastava com alimentação e roupas além da picape é claro.

Três anos e meio se passaram e na inauguração da oitava filial, desta vez em Manaus, Samuel resolveu ir de carro, aproveitando e passando na cidade de Apuí para pegar alguns guidões personalizados e gastar uns dias de suas férias nunca tiradas. Subiu em sua exagerada picape Mercedes Classe X e deitou o cabelo na Transamazônica, passou por algumas cidades parando apenas para comer pois nada lhe chamou a atenção, até chegar a Altamira onde ficou maravilhado com o tamanho da cidade e quantidade de opções de lazer. foi logo procurar um hotel, pois iria passar uns dois ou três dias se divertindo por ali, já que estava adiantado para pegar os guidões.

Após dar uma pequena volta pela cidade resolveu parar no Dallas Hotel, já estava se sentindo mal de tanto suor e poeira no corpo.

Entrou e se cadastrou, se acomodou, tomou um banho e saiu para conhecer como era a parte vespertina da cidade. 

Freou subitamente ao ver a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, era essa a igreja da foto. Parou o carro, desceu e vagarosamente entrou na catedral sem saber o que procurar ou quem. Encontrou uma parede cheia de fotos, em uma área desta parede estavam as fotos com a data de 1934 e no meio delas, Seu Onofre  com  a mesma aparência atual, ao lado de algumas pessoas e inclusive um espaço vazio e embaixo deste espaço a frase “Ilmo Sr. Onofre e Dom Clemente Geiger”, no pulso do Padre um tecido que parecia ser o lenço que agora lhe pertencia.

Conseguiu mais dúvidas que esclarecimentos, resolveu tomar umas para pensar melhor. 

Parou em vários bares tomou algumas cervejas, mais algumas e outras, voltou pro hotel e dormiu.

Acordou por volta das onze da noite e não queria ficar deitado. Tomou banho, vestiu sua roupa mais bonita, nunca se esquecendo de colocar o lenço e a foto no bolso da calça..

Mais umas voltas pela cidade até avistar algumas luzes diferentes, Occus Dance.

Parou na porta, logo um atendente veio lhe atender lhe entregando uma plaquinha prateada com o número 101, o mesmo número da almofada colocada sobre o teto do sua picape, que chamava a atenção de todos na fila. Samuel foi direcionado direto para a porta de entrada, sem passar pela fila, percebendo que o sua picape valia o investimento.

Já no interior da boate recebeu um cartão parecido com um cartão de crédito e perguntaram se queria mesa ou camarote no que ele respondeu mesa pois queria ficar no meio da bagunça.

Assim que chegou à mesa, o garçom que veio atendê-lo chamou muito sua atenção.

Márcio era um rapaz muito bonito, bem apessoado de queixo cinzelado, excelente postura, um sorriso quase constante no canto da boca, cabelo loiro comprido preso em um rabo de cavalo meio desleixado, com um franja caindo sobre seu olho esquerdo, um olhar carismático que chamava a atenção, vestia um uniforme que por mais que fosse igual ao de todos os outros, lhe caia de uma forma única, mostrando muitos detalhes de sua musculatura definida.

Samuel se sentiu intimidado por ser atendido por ele, pediu uma cerveja e recebeu um sorriso de volta juntamente com a afirmação de que Samuel estava agindo da forma certa se gostaria de ficar sozinho a noite toda.

Depois de esclarecer o motivo de tal afirmação, aceitou uma garrafa de seu melhor champanhe.

Ao chegar a garrafa de Armand de Brignac Brut Gold em sua mesa, Samuel que estava acostumado a aguardente e cerveja, não gostou muito de provar-lá.

Começou a mudar de ideia logo no segundo gole, quando se aproximou de sua mesa uma figura feminina.

Renata, uma mulher alta de cabelo preto curto, vestido frente única solto sobre o corpo, mostrando suas curvas perfeitas e com um decote que bastava milímetros para mostrar o que a semi transparência do tecido quase não conseguia esconder, seu sorriso angelical e seu olhar penetrante completavam o desejo curioso de Samuel. 

Sem falar nada, Samuel levantou a mão e como que por transmissão de pensamento, Márcio colocou outra taça sobre a mesa, já servindo a moça.

Ela se apresentou com um sorriso, levantando a taça para o que seria o primeiro de muitos brindes e dizendo que era raro ver alguém interessante de tamanho bom gosto por ali.

Esticaram a conversa sobre cidade e sobre a vida de Renata que parecia à vontade para responder toda e qualquer pergunta.

A garota sentiu-se muito à vontade em ficar conversando com Samuel, principalmente porque ele não lhe olhava como um objeto a ser conquistado, aparentemente ele apenas queria conversar.

Já na segunda garrafa de água, pois já tinham desistido do álcool após três garrafas de champanhe, e muitas horas depois, perceberam que a boate havia ficado quase vazia. Resolveram pedir a conta e sair.

Samuel reclamou de fome.

Renata sugeriu uma padaria que ficava na rua de trás e que servia comida de verdade a qualquer hora do dia ou da noite. Ele aceitou a ideia e digitando a senha na máquina se esforçou para não demonstrar surpresa com o valor exorbitante da conta.

Ao sair, sentiram um bofetada solar quase física. Tentando manter os olhos abertos pediu o carro, entregando a plaquinha.

Enquanto esperavam, Márcio saiu da boate, agora vestindo calças jeans, tênis e uma camiseta que devia ser de um irmão uns doze anos mais novo. 

Márcio foi se despedir sorrindo e dizendo que agora ele somente queria comer algo e ir dormir.

Samuel sem pensar ofereceu pagar um almoço pra eles na padaria por Renata citada.

As cinco da tarde, os três estavam na hidromassagem do quarto do hotel, tomando finalmente cerveja. Samuel estava um pouco envergonhado por estar entre dois completos desconhecidos, sentindo isso, ao se levantar para pegar outra cerveja, Márcio chegou bem perto de Samuel e parou, seus olhos se cruzaram, lentamente se aproximaram até que numa dose de pura paixão seus lábios se encontraram, neste momento seus corpos eram apenas um, Márcio esticou a mão e convidou Renata para esse momento e sem hesitar, passaram a se beijar a três que eram um, que eram três, numa troca sem fim de suspiros e carícias.

Da fábrica de guidões, Samuel recebeu uma mensagem de que estavam prontos na manhã seguinte. Samuel sentiu um pouco de tristeza por ter que partir, afinal foram os quatro melhores dias da sua vida. O medo de nunca mais encontrar alguém que o fizesse sentir o que Renata e Márcio faziam era aterrorizador. Não sabia se era ela, ele ou a junção dos dois. 

Na hora do jantar de despedida resolveu então mudar o rumo de tudo. 

Convidou ambos para ir embora com ele, disse que precisava de uma secretária e de um braço direito e que as coisas estavam indo bem nos negócios e que ambos seriam bem remunerados. 

Renata era a única filha solteira de um figurão da cidade. Sendo a mais velha de quatro irmãos, nunca se sentiu encaixada nessa família, tão pouco nessa cidade. Aceitou a proposta selando o acordo com um longo beijo seguido de seu sorriso mais encantador. 

Márcio demonstrou dúvida pois após a morte de seus pais em um naufrágio, havia restado somente ele e o irmão nove anos mais novo e que estava indo para a faculdade e ele havia prometido não abandoná-lo. 

Renata sugeriu mandá-lo estudar em São Paulo ou Rio de Janeiro. Com o novo salário daria para pagar a faculdade e que ela pagaria uma parte, já que não precisaria de tudo o que lhe fora oferecido. 

Maurício, irmão de Márcio já aceitou a proposta quando ouviu São Paulo. 

Juntaram as coisas pegando a estrada sentido Apuí, pararam ainda duas vezes no caminho para conhecer os hotéis de beira de estrada, apenas por curiosidade, como dizia Renata. 

Pegaram os guidões e seguiram para Manaus. 

Um dia antes da inauguração. Acompanharam os últimos retoques, a instalação dos guidões, e foram para o hotel se cansar um pouco mais antes de descansar para o dia da festa. 

Acordaram até que cedo, passearam pela cidade logo após o café. E se sentaram na praça para um sorvete sempre conversando de maneira agradável e apaixonante. 

Samuel disse que eram três corações unidos pelo acaso, mas que no caso esse caso era um senhor caso do acaso. 

Percebeu a cafonice assim que terminou de pronunciar e na hora se lembrou do versinho de Seu Onofre que ele havia achado tão cafona quanto. A saudade deixou seu coração minúsculo. Deu vontade de voltar. 

Seu telefone toca, era Bastião, estava em Porto Alegre negociando para abrir mais uma filial. Perguntou como estava e se estava correndo tudo dentro dos conformes. Samuel orgulhosamente respondeu que tudo estava perfeito como nunca. 

Durante a festa de inauguração, onde foram convidados além dos patrocinadores, investidores, empresários e comerciantes da cidade, alguns cantores da região para alegrar aos presentes. 

Após algumas apresentações e alguns pequenos passeios de quadriciclo e parapente, se sentaram para uma merecida cerveja. 

Samuel era só alegria. Chamou Renata pra dançar e saíram já girando no meio das mesas. Márcio os acompanhou levando os copos e os três ficaram dançando, bebendo e sorrindo, demonstrando uma alegria que causaria inveja.

E causou. 

Se aproximando de Renata um desconhecido se ofereceu pra dançar com ela o que foi respondido negativamente com toda educação possível. Sem aceitar a resposta o homem a agarrou pelo braço e disse que também sabia fazer mulher rir. Márcio logo se colocou à frente pedindo para que ele se afastasse. Nem percebeu quando um punho se aproximava de seu rosto, o homem não estava sozinho. Samuel violentamente empurrou o segundo que desequilibrado caiu de costas, chamando a atenção dos presentes que se afastaram. Rapidamente a turma do deixa disso segurou todo mundo afastando uns dos outros. Os ânimos se acalmaram e todos voltaram a beber e a sorrir. 

Já se passava das nove da noite quando os últimos convidados se foram. Samuel se despediu dos outros funcionários e se dirigiu para o estacionamento dizendo que voltaria para pegar Márcio e Renata. Quando estava voltando com sua picape, na porta do local da festa avistou um homem com uma arma na mão disparando na direção de Márcio e Renata, Respirou fundo e sem pensar acelerou entrando com sua picape muro adentro, levando consigo o atirador preso em seu para-choque. 

Ao acordar Samuel tomou café, colocou a roupa costumeira, pegou o sapato, lustrou e colocou na prateleira juntamente com os outros sapatos prontos, pegou outro e começou a consertar. Em seu avental o bordado velho e desfiado, sapataria Jaicós. 


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